
Andando pelas ruas
De dia
Vi a lua
Mostrando que brilha
Mesmo abaixo da estrela
Que mais luz irradia.
A menina que se
vestia
Cuidadosamente distraída
De frente pro espelho
Não via
Que a lua,já alta,
Seu branco encardia
E vejam que tragédia:
Só a lua sabia
Que logo
A luz da menina
Também se desbotaria
E como profecia
O som da mão do amado
Batendo a porta
Mais cedo que o combinado
Soara evidenciando a tragédia
Esperando a pobrezinha
Que mesmo estranhando o ar negativo
Abre a porta sorrindo
Mas o amado já não sorria
Como se chamando a menina
E seu olhar já nem refletia
A amada como prisma
E como se não bastasse
Isenta a beleza
Que a menina sonhara todo o dia
Ter ao lado do amado
Ele já decidido,
Confessa o seu pecado
O seu pecado?
Transferir sentimento e desejo
Para outro corpo
E sentir prazer
Com outro gosto
A menina corre pro quarto
E chora por horas
Descuidada,desarrumada
Desastrosamente distraída
De frente pro espelho
No frio da madrugada
A menina é a primeira
A ver a aurora do dia
O amado nessas horas
Dormia
A lua...
A lua já se ia.
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A noite e o interlúnio...
E cá te espero
Temendo o abandono.
Transferí um novo sentimento meu
Para um pedaço de papel
que encontrei no chão
Da rua onde me apaixonei
Por quem não me deu a mão
Escrevi meu sentimento
Não com alegria,sorrisos
Nem com euforia e brilho
Escrevi meu sentimento
Como quem parou no tempo
E perdeu toda noção
De qualquer explicação
No pequeno pedaço de papel
Só coube lamúrias da angústia
Que ela deixou em meu coração
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Onde fostes
Flor do campo?
Que não vi mais
Solene
Na luz do sol
E deslizante
No corpo do vento
Não mais te vi
E dia após dia
Estive aqui
No terreiro
Eu procurava no horizonte
A resposta para o sumiço
Do amor
Ou uma lógica para o amor
Submisso
Estive também na janela
De onde te admirava sem notares
Estive pegando a chuva com a mão
E deixando que ,
Por entre os dedos,
Escapasse
Banhando a terra
Equilibrando a vida
(não a minha)
Onde está
A flor do campo?
Me responde sol!
Me responde tempo!
Me responde árvore,
Terreiro,chuva,
Vento!
Para onde foi aquela flor:
Meu alimeto.
Aqui estou com o resto
Do que restou
E o que restou
Foi a flor
De papel
Porque aqui
Não há mais chuva fresca
Nem vento que dança
Nem sol que cura
Nem árvore que ampara
Nem terra firme e corada
Muito menos perfume
Há apenas uma saudade
Dos tempos em que chamava:
_Flor!
E ouvia em sussurros e gritos:
-Amor!
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